Casos clínicos do Instituto dos Reis
Trajetórias reais de pacientes, publicadas com autorização expressa de cada um, que pode ser retirada a qualquer momento. Nenhuma delas prevê o que vai acontecer com outra pessoa. Resultados variam conforme o quadro, a idade, o tempo de evolução, a adesão ao plano e fatores individuais que nem sempre são conhecidos de antemão. Nada aqui substitui avaliação médica.
Anah M., 24 anos. Cirurgia depois de meses de tratamento não cirúrgico
Como chegou. Meses de dor lombar diária com irradiação para as duas pernas, formigamento e perda de força leve. Não conseguia dormir nem se locomover sem dor. Atleta de academia e artes marciais, tinha parado com tudo. Ressonância com duas hérnias volumosas e compressão nervosa.
O que foi indicado, e por quê. A indicação cirúrgica foi feita na primeira consulta, e dita com essas palavras. O que se decidiu em conjunto foi tentar antes o caminho não cirúrgico, com acompanhamento próximo, por ser paciente jovem, ativa e com déficit ainda leve. Descompressão com SpineMED®, analgesia otimizada e infiltração guiada por ultrassom.
O que aconteceu. Melhora sustentada por meses. Cinco meses depois, piora abrupta, com perda de força maior na perna a ponto de quase cair de uma escada. Naquele momento a indicação deixou de ser eletiva. Cirurgia endoscópica no dia seguinte. Hoje sem dor lombar e sem dor irradiada, com alta da fisioterapia e retorno às atividades físicas e ao trabalho.
O que não foi alcançado. O tratamento não cirúrgico não evitou a cirurgia. Ele comprou meses de qualidade de vida em uma hérnia que tinha indicação de retirada desde o primeiro exame.
O que pode não dar certo. Na cirurgia endoscópica, a literatura descreve recidiva da hérnia no mesmo nível, lesão dural, formigamento transitório no pós-operatório, alívio incompleto e necessidade de reabordagem. No tratamento não cirúrgico, o risco é o que aconteceu aqui: o quadro pode piorar durante o percurso e exigir cirurgia com urgência.
Polyanna W., 30 anos. Quando a infiltração isolada alivia e a dor volta
Como chegou. Dor lombar havia anos, progressiva, com piora durante o trabalho. Fotógrafa, fotografar tinha virado o gatilho. Havia deixado a academia. Ressonância com hérnias e degeneração discal.
O que foi indicado, e por quê. Infiltração em centro cirúrgico, como primeira medida para quebrar o ciclo de dor.
O que aconteceu. Melhora importante, mantida por cerca de seis meses. Depois, retorno da dor intensa e limitante, agora sem resposta nem à analgesia endovenosa nem à medicação forte em casa. Foi indicado o bloco completo de nove sessões, com SpineMED®, SIS e HIL. A melhora apareceu já na primeira sessão, e ao fim do bloco estava liberada para o trabalho e para a atividade física.
O que não foi alcançado. A infiltração isolada não resolveu. Aliviou por meio ano e a dor voltou, porque tratou o sintoma e não o sistema em volta dele.
O que pode não dar certo. A infiltração tem efeito temporário por natureza, e a literatura descreve aumento transitório da dor nas primeiras horas, reação vasovagal, sangramento e infecção, esta última rara. No bloco de tecnologias, parte dos pacientes não responde, e desconforto muscular transitório nas primeiras sessões é esperado.
Júlia, 27 anos. Dor refratária ao tratamento correto
Como chegou. Dois meses de dor lombar iniciada após atividade física. É médica, e fez tudo o que se faz: analgesia otimizada, repouso, conduta adequada. Sem nenhuma melhora. Estava limitada para ficar sentada, o que inviabilizava trabalho e estudo. Ressonância com degeneração discal leve e edema ligamentar posterior importante.
O que foi indicado, e por quê. HIL e SIS, pelo perfil do achado, com infiltração guiada por ultrassom na sequência.
O que aconteceu. Melhora importante já na primeira sessão. Após a infiltração guiada, a dor que estava refratária desapareceu, antes de o bloco de sessões terminar.
O que não foi alcançado. O acompanhamento ainda é curto, e é cedo para falar em estabilidade ao longo do tempo. O caso mostra o que um alvo bem identificado faz, não o que o tempo vai confirmar.
O que pode não dar certo. Quadros com edema ligamentar podem recidivar se a carga que os produziu não for corrigida. E a resposta rápida à infiltração não garante durabilidade: parte dos pacientes precisa repetir o procedimento ou seguir para outra abordagem.
Valéria D., 63 anos. Procedimento sem corte, e uma viagem que estava cancelada
Como chegou. Dor na coluna com irradiação para as duas pernas, incapacitante. Já tinha passado pelo pronto-socorro, com melhora pequena após a analgesia. Ressonância com hérnia protusa comprimindo raízes.
O que foi indicado, e por quê. Discectomia percutânea, sem corte e sem internação, pela compressão documentada. Em seguida, o programa completo com SpineMED®, SIS e HIL.
O que aconteceu. Melhora expressiva já após o procedimento, consolidada ao longo das sessões. Ao fim do programa embarcou para uma viagem de meses à Europa, sem limitação pela coluna.
O que não foi alcançado. Permanece uma dor leve residual, intermitente. Ela vem cedendo agora que a reabilitação pode ser feita de forma adequada, o que a dor anterior impedia.
O que pode não dar certo. Na discectomia percutânea, a literatura descreve descompressão incompleta, formigamento transitório, recidiva no mesmo nível e necessidade de conversão para técnica endoscópica ou aberta. Em pacientes acima dos 60, a presença de outras alterações degenerativas na coluna costuma limitar o quanto a correção de um único nível resolve.
Leonice P., 55 anos. Separar a dor da coluna da fibromialgia
Como chegou. Fibromialgia havia treze anos, em tratamento adequado com reumatologista, com atividade física regular. Nos últimos quatro meses, uma dor lombar com irradiação para as pernas que não respondia ao que vinha sendo feito. Estava em bloqueio simpático venoso com neurologista, em várias sessões, e voltando ao pronto-socorro para analgesia, morfina inclusive. A coluna seguia limitada.
O que foi indicado, e por quê. A decisão começou por separar as duas coisas: a fibromialgia, que segue com o reumatologista, e a dor da coluna, que tinha causa própria e não estava sendo tratada como tal. Programa completo com infiltração guiada por ultrassom, SIS, HIL e SpineMED®, mais procedimento em centro cirúrgico.
O que aconteceu. Já na primeira semana notou menos limitação para mover a coluna. Ao fim do bloco na clínica, melhora quase completa da mobilidade e melhora importante da dor e da qualidade de vida. Está liberada para retomar atividade física, que é parte central do tratamento da própria fibromialgia.
O que não foi alcançado. A melhora é quase completa, não completa. O procedimento em centro cirúrgico ainda não aconteceu, então esta é uma trajetória em curso. A fibromialgia não foi tratada aqui e continua com quem a acompanha há treze anos.
O que pode não dar certo. Em pacientes com dor crônica difusa, a literatura descreve resposta menos previsível às intervenções dirigidas à coluna, porque a sensibilização central amplifica a dor independentemente do achado local. Separar o que é coluna do que é fibromialgia nem sempre é possível, e quando não é, a melhora tende a ser parcial.
Laudilane, 57 anos. Chegou em cadeira de rodas
Como chegou. Lombociatalgia importante, refratária à medicação do pronto-socorro, com limitação completa de mobilidade. Chegou em cadeira de rodas. Ressonância com hérnia extrusa.
O que foi indicado, e por quê. Procedimento percutâneo de urgência, pela combinação de dor refratária, achado compatível e perda funcional.
O que aconteceu. Melhora importante da dor logo após o procedimento, ainda com limitação de mobilidade e uso de bengala. Com o tratamento na clínica, com HIL, SIS e SpineMED®, a dor cedeu por completo e o apoio para andar deixou de ser necessário nas situações do dia a dia.
O que não foi alcançado. O formigamento melhorou apenas em parte. A reabilitação com fisioterapia continua, e o caso não está encerrado.
O que pode não dar certo. Em compressão nervosa prolongada, a literatura descreve recuperação sensitiva mais lenta e frequentemente incompleta, mesmo quando a dor cede por completo. Quanto mais tempo o nervo passou comprimido, menor a chance de o formigamento desaparecer inteiramente.
Dayana N., 40 anos. A dor melhorou e a conduta não mudou
Como chegou. Acordou de madrugada com dor cervical irradiada para o braço, súbita e imparável. Em sete dias foi seis vezes ao pronto-socorro, tomou até morfina, e não conseguiu dormir em nenhuma das noites. Na consulta havia perda de força importante, formigamento e dor incapacitante. Ressonância com duas hérnias comprimindo bastante a medula e uma terceira com compressão moderada.
O que foi indicado, e por quê. Primeiro, controle da dor: HIL e SIS na clínica, para tirá-la do ciclo de pronto-socorro e devolver o sono. Mas o critério que definiu a conduta não era a dor, e sim o déficit neurológico. Com perda de força e compressão medular documentada, a cirurgia era o caminho, e a indicação foi de artrodese cervical por via anterior, em caráter de urgência.
O que aconteceu. Depois das sessões, dormiu duas noites seguidas, algo que não conseguia havia uma semana. Na segunda-feira, cerca de 60% de melhora da dor e sem necessidade de morfina, mantendo analgesia otimizada. A perda de força e o formigamento continuaram exatamente iguais, e foi isso que confirmou a cirurgia. No primeiro dia de pós-operatório, a dor tinha desaparecido por completo, com recuperação parcial da força e da sensibilidade. Com a fisioterapia, a melhora segue progressiva. A dor que a impedia de dormir mesmo com morfina não voltou.
O que não foi alcançado. O tratamento na clínica nunca ia resolver esse caso, e não foi indicado para isso. Ele devolveu sono e tirou a morfina enquanto a cirurgia era organizada, e não moveu um milímetro do déficit neurológico, que era o problema. A recuperação da força e da sensibilidade ainda é parcial. E a artrodese tem um custo permanente: o nível operado deixa de se mover, e isso não se desfaz.
O que pode não dar certo. Na artrodese cervical por via anterior, a literatura descreve dificuldade transitória para engolir nos primeiros dias, rouquidão por irritação do nervo laríngeo recorrente, falha de consolidação da artrodese, sobrecarga do nível vizinho ao longo dos anos, e recuperação neurológica incompleta quando a compressão foi prolongada. O acompanhamento aqui ainda é de semanas, e é cedo para falar de estabilidade.
O paciente do Instituto dos Reis pode contar com duas coisas: nunca será empurrado para uma cirurgia desnecessária, e nunca será afastado de uma cirurgia que ele de fato precisa fazer.
Conteúdo informativo, em conformidade com o Conselho Federal de Medicina (CFM). Não substitui avaliação médica individualizada. Não há promessa de resultado. Dr. Felipe Cruz Caetano dos Reis, médico, CRM 26.953-DF, Ortopedia e Traumatologia, RQE 24.292.