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SpineMED®: como funciona a descompressão da coluna não cirúrgica

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Por Dr. Felipe Reis
Publicado em 28 de maio de 2026 Última revisão: 28 de maio de 2026 ~25 min de leitura
SpineMED — sistema de descompressão neurovertebral no Instituto dos Reis
Equipamento SpineMED® de descompressão neurovertebral controlada, no Instituto dos Reis, em Brasília.

O SpineMED® é um sistema de descompressão neurovertebral controlada por biofeedback computadorizado, indicado no tratamento conservador de hérnia de disco, doença discal degenerativa e dor cervical ou lombar de origem discogênica. Diferente da tração lombar tradicional — que aplica força linear constante e tende a provocar contração muscular reflexa —, o SpineMED® ajusta a tensão a cada 20 milissegundos, abaixo do tempo de resposta do reflexo de defesa muscular. Isso permite que a pressão dentro do disco caia para valores negativos, criando condições para alívio mecânico do nervo comprimido. Não é máquina mágica: é ferramenta, e funciona quando integrada a um plano clínico estruturado.

Esse é o resumo objetivo. Mas o paciente que pesquisa SpineMED® raramente está atrás de uma definição de manual. Quase sempre está em um de três cenários: recebeu indicação de cirurgia e quer saber se existe um caminho não cirúrgico legítimo antes de decidir. Ou ouviu falar de "uma máquina que trata hérnia sem operar" e quer entender se isso é sério ou propaganda. Ou já tentou de tudo — fisioterapia, remédio, repouso — e segue com dor, procurando algo diferente.

Todos esses cenários têm um ponto em comum: a pessoa quer a versão honesta. Não a versão de propaganda, que vende a descompressão como cura garantida. Nem a versão cética de quem confunde o equipamento moderno com as velhas mesas de tração. A versão clínica — o que o aparelho faz de fato, o que a literatura científica realmente mostra, em quem ele faz sentido e em quem não faz.

É isso que este guia entrega. E começa com uma afirmação que contraria parte do marketing do setor: o SpineMED® não é uma máquina mágica. A evidência sobre descompressão neurovertebral é mista — há fundamentação mecânica sólida, há estudos clínicos consistentes em direção, e há também revisões críticas importantes que pedem cautela. Apresentar isso com transparência é a única forma de o paciente decidir bem.

Ao longo do texto, você vai encontrar o que a ciência diz sobre o mecanismo, o que os estudos com o próprio SpineMED® mostram, em que situações ele é indicado, em quais é contraindicado, como é o protocolo na prática, e por que — em todos os estudos com bom resultado — ele aparece sempre integrado a um plano de tratamento, nunca isolado.

O que é o SpineMED® (e o que ele não é)

O SpineMED® é um equipamento médico de descompressão neurovertebral controlada por computador, registrado no FDA (Estados Unidos) e na ANVISA (Brasil) como dispositivo para tratamento conservador de afecções discais da coluna cervical e lombar. É utilizado para reduzir a pressão dentro do disco intervertebral em pacientes com hérnia contida, doença discal degenerativa, estenose foraminal e radiculopatia compatível com compressão de raiz nervosa.

Importa começar pelo que ele não é: o SpineMED® não é uma "mesa de tração" no sentido tradicional do termo, e não é um aparelho que "puxa a coluna até a vértebra sair do lugar" — descrição leiga que circula em propaganda comercial e atrapalha mais do que ajuda. Comparar o SpineMED® às mesas de tração antigas, comuns em consultórios de fisioterapia nos anos 1980 e 1990, é tecnicamente impreciso. A diferença está no controle.

A diferença entre tração e descompressão neurovertebral controlada

Tração lombar, no sentido clássico, é a aplicação de uma força axial constante sobre a coluna — geralmente por meio de pesos, cintas e roldanas — com objetivo de separar mecanicamente as vértebras e aliviar a compressão sobre estruturas neurológicas. O conceito é antigo, simples e aparentemente intuitivo: se a dor vem de algo comprimido, basta descomprimir.

O problema é que o corpo humano não responde bem a força linear constante aplicada ao tronco. Quando a musculatura paravertebral sente o estiramento, ela reage por reflexo proprioceptivo de defesa — contrai. Essa contração, somada à massa do tronco, gera uma resistência interna que tende a manter (ou aumentar) a pressão dentro do disco em vez de reduzi-la. O paciente sai da sessão mais tenso do que entrou. É essa fisiologia que explica boa parte dos achados negativos da literatura sobre tração lombar, e é também a razão pela qual a revisão Cochrane mais recente concluiu que tração — manual ou mecânica — tem efeito pequeno ou nulo sobre dor, função e retorno ao trabalho em dor lombar não específica.[1]

A descompressão neurovertebral controlada parte do mesmo princípio físico — aplicar uma força axial para separar segmentos vertebrais —, mas resolve o problema do reflexo muscular de uma forma específica: monitora a tensão aplicada em tempo real e ajusta automaticamente a força conforme detecta resistência. Não é tração contínua. É distração ritmada, em ciclos de tensão alta e baixa, com a curva de força modulada de acordo com a resposta neurofisiológica do paciente naquele instante.

A descompressão por biofeedback de 20 milissegundos

O detalhe técnico decisivo do SpineMED® é a velocidade do biofeedback. O sistema lê a tensão aplicada e ajusta a força distrativa a cada 20 milissegundos. Esse número não é trivial: a resposta neurológica humana média — o tempo entre um estímulo de estiramento e o início da contração reflexa de proteção — é da ordem de 50 milissegundos.[2] Trabalhar abaixo desse limiar significa que o equipamento detecta e corrige uma incipiente contração muscular antes que ela se estabeleça.

Em termos práticos: o aparelho consegue aplicar e manter níveis de tensão que, na tração linear tradicional, seriam imediatamente neutralizados pela defesa muscular. A consequência é que a coluna realmente se distrai — as superfícies articulares e o espaço intervertebral aumentam de forma controlada —, e a pressão dentro do núcleo pulposo do disco pode cair para valores negativos. É essa transição de pressão positiva (compressão) para pressão negativa (descompressão) que cria a janela mecânica para que o material discal protruso ou herniado tenda a recuar para dentro do contorno anular.

Sun e colaboradores, em estudo prospectivo conduzido na China com 118 pacientes portadores de hérnia lombar tratados com SpineMED®, descreveram o protocolo nestes termos: ciclos de 60 segundos de "tensão máxima" alternados com 30 segundos de "tensão mínima", totalizando aproximadamente 30 minutos por sessão. A força distrativa máxima foi calculada como peso corporal × 1/4 − 4,5 kg, e a mínima como força máxima × 1/2 + 3,5 kg.[3] Camacho e equipe (Instituto de Patologia da Coluna, São Paulo) usaram o mesmo protocolo em estudo brasileiro publicado em 2015.[4] A consistência entre centros independentes — China, Brasil, Coreia, Egito — sugere que o protocolo está suficientemente padronizado para ser comparável entre estudos.

Em resumo: o SpineMED® é um equipamento de descompressão neurovertebral que ajusta a força distrativa a cada 20 milissegundos, mais rápido que o reflexo muscular de defesa (~50 ms). Isso permite distrair a coluna sem disparar a contração que sabota a tração tradicional — e fazer a pressão intradiscal cair para valores negativos.

Por que a má reputação da tração persiste — e o que mudou tecnicamente

A literatura científica é justa quando registra que a maior parte dos estudos sobre tração lombar não consegue demonstrar benefício clínico relevante. Macario e Pergolizzi, em revisão sistemática publicada em Pain Practice em 2006, analisaram 7 ensaios clínicos randomizados e 3 séries de casos sobre descompressão motorizada para dor lombar discogênica crônica. Em 6 dos 7 ensaios, não houve diferença significativa em relação ao comparador; em apenas 1 houve redução de dor sem redução de incapacidade. As séries de casos sem grupo controle relataram reduções de dor entre 77% e 86%, mas os autores ressaltaram que esse tipo de estudo é vulnerável a viés de seleção e ao efeito placebo.[5]

A Cochrane confirma o mesmo padrão para tração genérica, com escopo mais amplo: 32 ensaios clínicos randomizados com 2.762 participantes, abrangendo dor lombar aguda, subaguda e crônica, com ou sem ciatalgia.[1] As conclusões são duras: tração — isolada ou combinada — tem efeito pequeno ou clinicamente irrelevante sobre dor e função; aplica-se tanto a tração manual quanto mecânica.

Aqui está o ponto que precisa ser dito sem rodeio: a Cochrane e a revisão de Macario tratam tração e descompressão como se fossem a mesma coisa, e tecnicamente não são. A maioria dos estudos incluídos nessas revisões usou mesas de tração linear simples, sem biofeedback de alta frequência, sem ajuste de tensão em tempo real, sem controle do reflexo muscular. Os equipamentos modernos de descompressão neurovertebral computadorizada — SpineMED®, DRX9000™, VAX-D® — operam sob premissas técnicas diferentes, com base mecânica documentada por Ramos e Martin em 1994 e replicada em estudos posteriores.[6]

Isso não significa que a literatura crítica esteja errada. Significa que ela ainda não testou de forma adequada — com ensaios grandes, bem cegados, com comparadores ativos válidos — se a descompressão por biofeedback é tecnicamente diferente o suficiente para produzir desfecho clínico diferente. Faltam estudos. Existem indícios. A diferença entre "indício" e "prova" é honesta de comunicar.

O mecanismo: como a pressão negativa intradiscal atua

A justificativa fisiopatológica para a descompressão neurovertebral é mecânica, não conceitual. Quando um disco intervertebral é submetido a carga axial — sentar, ficar em pé por tempo prolongado, levantar peso, dirigir —, a pressão dentro do núcleo pulposo aumenta. Esse aumento de pressão empurra o material discal contra as fibras do anel fibroso. Quando o anel está íntegro, o sistema se mantém contido. Quando há fissuras anulares — situação comum a partir dos 30 anos e quase universal após os 50 —, o material discal tende a herniar pela parte mais frágil do anel, geralmente posterolateral, em direção ao canal vertebral ou ao forame de saída da raiz nervosa.

A teoria da descompressão é reverter parte desse processo. Se aplicarmos uma força que distraia as duas vértebras adjacentes ao disco, separando-as discretamente, a pressão interna do disco cai. Se essa queda de pressão for suficiente, o material discal tende a ser puxado de volta para dentro do contorno do disco, em vez de continuar sendo empurrado para fora. Esse é o argumento mecânico — e tem base experimental.

Dois cortes laterais com duas vértebras e o disco. À esquerda, sob carga axial normal, setas de compressão aproximam as vértebras, o disco fica mais fino (altura relativa fictícia 0,8*) e a hérnia (tamanho relativo fictício 0,6*) pressiona a raiz nervosa; a pressão intradiscal é positiva. À direita, sob descompressão controlada do SpineMED®, setas de distração afastam mais as vértebras, o espaço do disco se abre (1,5*), a hérnia aparece bem menor (0,3*), sugerindo retração parcial, e a pressão intradiscal cai a valores negativos até cerca de −100 mmHg, com reidratação do disco e alívio mecânico da raiz, em ciclos ajustados a cada 20 ms. Alturas e tamanhos são valores fictícios, apenas para entendimento. Esquema do mecanismo, não de resultado clínico.
O mecanismo, de forma honesta: a descompressão controlada abre o espaço discal e faz a pressão dentro do disco cair a valores negativos (documentado desde Ramos & Martin, 1994) e cria condições para retração parcial da hérnia e reidratação do disco — as medidas (0,8/1,5 e 0,6/0,3) são fictícias, só para entendimento, e não representam cura. A fundamentação mecânica é sólida; o desfecho clínico é mais variável, e boa parte das hérnias regride espontaneamente. Por isso o SpineMED® é parte de um plano, não solução isolada.

O estudo seminal de Ramos & Martin (1994): pressão abaixo de -100 mmHg

O estudo de Gustavo Ramos e William Martin, publicado no Journal of Neurosurgery em 1994, é a referência citada por praticamente todas as discussões sobre o mecanismo da descompressão neurovertebral.[6] Os autores selecionaram cinco pacientes com hérnia lombar confirmada por ressonância, programados para discectomia percutânea. Antes do procedimento cirúrgico, inseriram uma cânula no núcleo pulposo do disco L4-L5 sob fluoroscopia, conectaram-na a um transdutor de pressão calibrado, e mediram a pressão intradiscal em tempo real enquanto aplicavam força distrativa por meio de um equipamento de descompressão axial com cinta pélvica.

Os resultados são diretos. Em decúbito sem distração, a pressão intradiscal basal ficava em torno de +60 a +75 mmHg — positiva, como esperado. Com a aplicação progressiva de tensão, a pressão começava a cair. Quando a tensão atingia valores na faixa de 60 a 100 libras (aproximadamente 27 a 45 kg), a pressão intradiscal caía para valores negativos, na faixa de -100 a -160 mmHg. A relação entre tensão aplicada e pressão intradiscal era inversa e seguia uma curva polinomial.

A leitura desse achado precisa ser cuidadosa. O estudo não demonstrou eficácia clínica — só comprovou que, mecanicamente, a descompressão axial controlada é capaz de gerar pressão negativa dentro do disco. É um achado de fundamentação, não de desfecho. Mas é também o achado que separa o conceito de descompressão controlada da tração lombar genérica: estudos anteriores tinham mostrado que a tração simples, sem controle adequado, pode até elevar a pressão intradiscal em alguns casos — exatamente o oposto do efeito desejado.[6]

O reflexo de proteção muscular e o problema da tração linear

A musculatura paravertebral funciona como sistema de defesa estrutural da coluna. Quando detecta estiramento súbito ou tensão percebida como ameaçadora, ela contrai. Essa resposta — o reflexo de estiramento miotático — é mediada pelos fusos musculares, ativados quando o músculo é alongado. O tempo entre o estímulo e o início da contração reflexa varia, mas a literatura neurofisiológica clássica documenta latências em torno de 40 a 60 milissegundos.[2]

Esse reflexo é útil para a vida diária: protege a coluna de movimentos bruscos, sustenta a postura, evita lesões durante quedas. Em contexto de tratamento, no entanto, ele é o principal saboteur da tração linear. Quando uma cinta começa a puxar o tronco, a musculatura percebe o estiramento e contrai — e essa contração mantém ou aumenta a carga axial sobre o disco, anulando o efeito desejado. É por isso que pacientes submetidos a tração mecânica sem biofeedback frequentemente saem da sessão com mais tensão muscular do que tinham antes.

A solução técnica da descompressão controlada é trabalhar abaixo do tempo de latência do reflexo. Se o aparelho aplica uma curva de tensão que aumenta gradualmente, detecta o início da resistência muscular em fração do tempo de resposta reflexa, e recua antes que o espasmo se estabeleça, o reflexo de proteção pode ser contornado — não suprimido, apenas evitado pela velocidade do ajuste. O estudo brasileiro de Camacho descreve o sistema como capaz de ajustar a força distrativa a cada 20 milissegundos, "distraindo a coluna sem provocar contrações musculares reflexas ou espasmos".[4]

O que significa "alívio mecânico" no contexto de disco e raiz nervosa

A dor radicular — ciatalgia lombar, cervicobraquialgia cervical — vem da combinação de dois fenômenos: compressão mecânica da raiz nervosa pelo material herniado e inflamação química local disparada pelo contato entre o conteúdo do núcleo pulposo e o tecido nervoso. Tratar bem a dor radicular significa, idealmente, atuar nos dois eixos.

A descompressão neurovertebral atua predominantemente no eixo mecânico. Ao gerar pressão negativa no disco, três coisas podem acontecer, em graus variáveis:

  • Retração parcial do material herniado — o material empurrado para fora pode ser parcialmente sugado de volta para dentro do contorno discal. Estudos com ressonância antes e depois, como o de Demirel (2017)[7], o estudo egípcio de Shahin (2024) sobre hérnia cervical[8] e o ensaio de Choi (2022) em hérnia lombar subaguda,[16] documentaram redução mensurável da hérnia em parte dos pacientes.
  • Reidratação do disco — o disco troca fluidos com o ambiente por gradiente osmótico. Quando descomprimido, tende a absorver água, aumentando discretamente sua altura. Esse ganho alivia a tensão sobre as facetas e amplia o forame de saída da raiz.
  • Modulação da geometria do canal radicular — separar discretamente as vértebras pode aumentar o espaço foraminal. Mesmo sem mudança importante na hérnia, esse ganho geométrico pode reduzir o contato entre disco e raiz.

Importa registrar que o alívio mecânico é necessário, mas raramente suficiente. A dor radicular tem componente inflamatório que não responde diretamente à descompressão — responde a anti-inflamatórios, a infiltrações guiadas por ultrassom em casos selecionados, ao tempo de evolução natural da hérnia, e à reabilitação muscular estruturada. Tratar dor radicular apenas com descompressão, ignorando o eixo inflamatório e a reabilitação, é o tipo de simplificação que produz resultado parcial e recidiva precoce.

A evidência clínica atual: o que a literatura mostra

A literatura sobre descompressão neurovertebral é abundante em número, heterogênea em qualidade e geograficamente dispersa. Há estudos da Coreia, dos Estados Unidos, do Canadá, do Egito, da China, da Turquia e do Brasil. A leitura honesta dessa literatura exige reconhecer duas verdades simultâneas: a evidência mecânica é sólida e replicada; a evidência de desfecho clínico de alto nível ainda é insuficiente para uma recomendação categórica.

A revisão sistemática de Macario & Pergolizzi (2006)

A revisão de Alex Macario (Stanford) e Joseph Pergolizzi (Johns Hopkins) é a referência crítica mais citada sobre descompressão neurovertebral motorizada.[5] Analisou estudos publicados entre 1975 e 2005 — sete ensaios clínicos randomizados e três séries de casos não controladas, sobre descompressão motorizada para dor lombar discogênica crônica.

Os achados foram explícitos. Dos 7 ensaios randomizados, 6 não mostraram diferença estatisticamente significativa entre o grupo descompressão e o comparador (tração simples, fisioterapia padrão ou tratamento sham). Apenas 1 mostrou redução de dor sem redução paralela da incapacidade funcional. As três séries de casos sem controle reportaram melhoras numéricas grandes — redução de dor entre 77% e 86% —, mas esses números, como os autores registraram, são vulneráveis a viés de seleção e ao efeito placebo.

A conclusão dos revisores foi direta: a eficácia da descompressão neurovertebral motorizada para dor lombar discogênica crônica permanece não comprovada pelos critérios habituais de evidência, em parte pela heterogeneidade dos grupos de pacientes e pela dificuldade técnica de cegamento adequado. Vinte anos depois, essa conclusão continua razoavelmente válida — não houve, até hoje, ensaio multicêntrico grande, com cegamento robusto e poder estatístico suficiente, capaz de mudar a recomendação geral. A diferença é que, nesses vinte anos, surgiram vários estudos menores adicionais sugerindo benefício em populações específicas, que merecem ser apresentados pelo que são: indícios, não provas.

A Cochrane 2013 sobre tração — por que separar tração genérica de descompressão controlada

A revisão Cochrane de Wegner e colaboradores, publicada em 2013, é até hoje a referência metodológica mais robusta sobre o tema: 32 ensaios clínicos randomizados, 2.762 participantes, cobrindo tração lombar de qualquer tipo.[1] A conclusão é dura: tração, isolada ou combinada, tem pouco ou nenhum impacto sobre intensidade da dor, estado funcional, melhora global e retorno ao trabalho; os efeitos demonstrados são pequenos e não clinicamente relevantes; e isso vale tanto para tração manual quanto mecânica.

O que essa conclusão diz é que a literatura disponível até 2013 não autoriza a recomendação de tração como tratamento de dor lombar não específica. O que ela não diz — e o paciente honesto precisa entender — é que os equipamentos modernos de descompressão por biofeedback de alta frequência operam sob premissas mecânicas diferentes das mesas de tração simples avaliadas nos ensaios históricos. A maioria dos estudos incluídos na Cochrane testou aparelhos sem ajuste em tempo real. Em outras palavras: a Cochrane está certa sobre tração; e ainda não respondeu à pergunta correta sobre descompressão controlada com biofeedback de 20 milissegundos. Essa distinção não é desculpa — é descrição do estado da arte.

Estudos específicos com SpineMED® (Coreia, Brasil, Egito, EUA, Canadá, China)

A literatura específica sobre SpineMED® tem perfil consistente entre centros diversos. Não é casuística homogênea, mas o padrão geral é o mesmo: melhora estatisticamente significativa em escalas de dor (VAS) e funcionalidade (ODI ou NDI) ao longo de 4–6 semanas, em pacientes com hérnia contida ou degenerativa.

  • Coreia. Ma e Kim (2010) trataram 10 pacientes com radiculopatia cervical usando SpineMED® combinado a modalidades fisioterápicas, 20 sessões em 4 semanas: VAS ↓21% e NDI ↓14% (significativo).[9] Em 2011, a mesma equipe repetiu o achado com abordagem multimodal — SpineMED® + mobilização cervical + exercícios de estabilização.[10] O ponto de destaque não é o tamanho amostral (modesto), mas a estratégia: SpineMED® como componente de um protocolo, não tratamento isolado.
  • Brasil. Camacho, Marchi, Pimenta e equipe (Instituto de Patologia da Coluna, São Paulo), 2015 — único estudo brasileiro com SpineMED® em revista indexada. Série prospectiva de 27 casos (18 lombares, 9 cervicais): VAS axial ↓59%, VAS irradiada ↓56%, ODI 28→18 (↓36%, p=0,014), NDI 30→20 (p<0,001). Registraram um caso de falha que necessitou cirurgia e espasmos transitórios — registro honesto que reforça a credibilidade.[4]
  • Egito. Shahin (2024) — ensaio randomizado com 100 pacientes com hérnia cervical (≥6 meses de dor), grupo SpineMED® (20 sessões) vs controle. Após um mês, redução significativa de VAS e ODI (p<0,001) e aumento mensurável dos espaços intervertebrais à ressonância. É o estudo mais recente e metodologicamente mais robusto especificamente com SpineMED®.[8]
  • Estados Unidos. Grant e Saxton (SUNY Upstate) — revisão retrospectiva de 156 lombares e 37 cervicais: melhora significativa em VAS, ODI e atividades de vida diária (p<0,0001), com efeito maior nos primeiros 5 dias. Em pacientes com cirurgia prévia, a melhora não diferiu estatisticamente.[11]
  • Canadá. Soual (2017), Centre de correction vertébrale de Québec — estudo retrospectivo confirmando padrão similar em lombares e cervicais.[12]
  • China. Sun e colaboradores (2013) — 118 pacientes com hérnia lombar, seguimento de 1 ano e 7 meses. VAS ↓8,2±1,1; 93% "excelente/bom" por MacNab; sem complicações.[3]

O que ainda não foi demonstrado com nível de evidência alto

Por integridade científica, é importante registrar o que a literatura atual não demonstra:

  • Não há ensaio multicêntrico grande comparando SpineMED® com tratamento conservador convencional bem feito. Os estudos existentes têm amostras pequenas, em geral de centro único, com cegamento limitado pela natureza visível do equipamento.
  • Não há evidência robusta de superioridade da descompressão por biofeedback sobre tração motorizada convencional em desfechos clínicos primários, conforme o estudo de Koçak 2018.[13] O benefício mecânico não se traduz automaticamente em superioridade clínica.
  • Não há evidência de que SpineMED® isolado seja suficiente como tratamento definitivo. Todos os estudos com resultados positivos descrevem o uso integrado a um protocolo.
  • Não há evidência sólida sobre durabilidade do efeito além de 1–2 anos para a maioria dos estudos.

Essas lacunas não invalidam o uso clínico do SpineMED®. Definem, sim, o contorno honesto da indicação: é uma ferramenta com fundamentação mecânica sólida, com estudos clínicos consistentes em direção, mas com nível de evidência atual que sustenta uso integrado em protocolos estruturados — e não uso isolado como solução autônoma.

Modelo anatômico da coluna vertebral usado em consulta — descompressão neurovertebral atua sobre o disco intervertebral
A descompressão neurovertebral atua sobre a pressão dentro do disco intervertebral — alvo mecânico que precisa estar correlacionado ao quadro clínico do paciente.

Quando o SpineMED® é indicado (e quando não é)

A indicação adequada do SpineMED® depende menos da tecnologia em si e mais da seleção criteriosa do paciente. O equipamento é uma ferramenta — e ferramenta usada na situação errada produz resultado errado, independentemente da sofisticação técnica.

Indicações principais — hérnia contida, dor discogênica, radiculopatia

As três situações em que a literatura mostra resultados mais consistentes são:

  • Hérnia de disco contida (protrusão), sintomática, sem indicação cirúrgica imediata. Paciente com dor com irradiação radicular, sem déficit neurológico progressivo, sem síndrome de cauda equina, com correlação clara entre o nível da hérnia e o trajeto da dor. Veja também nosso guia sobre hérnia de disco lombar e hérnia de disco cervical.
  • Doença discal degenerativa sintomática. Perda de altura discal, fissuras anulares, dor axial predominante sem componente radicular dominante. A descompressão pode contribuir para reidratação parcial do disco e alívio das estruturas articulares posteriores.
  • Radiculopatia cervical ou lombar persistente sem indicação cirúrgica clara. Dor irradiada com distribuição compatível com raiz nervosa específica, ressonância demonstrando compressão correspondente, após tratamento conservador inicial sem resposta adequada. Veja também nosso conteúdo sobre dor ciática.

Em todos os três cenários, a indicação pressupõe correlação clínico-radiológica clara — a imagem precisa explicar a dor que o paciente sente, e o exame físico precisa confirmar que a estrutura comprometida pela imagem é responsável pelo padrão clínico. Tratar pelo laudo da ressonância, sem essa correlação, é o tipo de erro que produz tratamento aplicado à pessoa errada — não ao problema certo.

Cervical vs lombar — anatomia, protocolo e cargas

A coluna lombar suporta cargas maiores e tolera forças distrativas maiores; a coluna cervical é mais delicada, com canal mais estreito e proximidade com estruturas neurovasculares, e exige cargas menores e maior controle de inclinação. Em estudos com SpineMED®, os protocolos típicos são:

Parâmetros de protocolo conforme literatura (Sun 2013, Camacho 2015, Ma 2010) — orientativo, não prescritivo. Cargas individualizadas após avaliação médica.
Parâmetro Descompressão lombar Descompressão cervical
Força inicial Peso × 1/4 − 4,5 kg (força máxima) 4–6 lb (≈ 1,8–2,7 kg)
Progressão 1–2,5 kg por sessão conforme tolerância ≈ 1 lb por sessão
Teto habitual Força-alvo calculada pelo peso 15 lb (homens) / 12 lb (mulheres)
Ciclos ≈ 60s tensão máxima + 30s tensão mínima, por ~30 min
Duração do tratamento 20–25 sessões (curso único, na literatura)

Contraindicações absolutas e relativas

Contraindicações absolutas (o tratamento não deve ser realizado): fratura vertebral aguda; tumor primário ou metastático em coluna; infecção vertebral (osteomielite, discite, abscesso epidural); síndrome de cauda equina ou déficit neurológico agudo progressivo; instabilidade vertebral grave; hérnia sequestrada com fragmento livre migrado; gravidez (por precaução); osteoporose grave com risco de fratura; e implantes metálicos que possam ser indevidamente tensionados.

Contraindicações relativas (avaliar caso a caso): espondilolistese leve a moderada sem progressão; cirurgia de coluna prévia recente (aguardar consolidação tecidual); doença discal degenerativa muito avançada com colapso completo do espaço discal; estenose de canal central de alto grau com componente ósseo dominante; comorbidades cardiovasculares descompensadas; e pacientes incapazes de tolerar a posição por motivos físicos ou psicológicos. A definição entre absoluta e relativa exige avaliação médica individualizada — não há fórmula que substitua o juízo clínico.

O candidato que NÃO vai se beneficiar

Mais importante que listar contraindicações formais é reconhecer o perfil de paciente que provavelmente não se beneficiará, mesmo sem contraindicação técnica:

  • Paciente buscando solução isolada, sem disposição para plano integrado. Descompressão isolada, sem reabilitação, tem taxa de recidiva elevada. Quem entra esperando "fazer o pacote de sessões e estar curado" tipicamente não está pronto para o que o tratamento real exige.
  • Quadro com déficit neurológico progressivo ou síndrome neurológica aguda. Esses pacientes precisam de avaliação cirúrgica, não de tratamento conservador prolongado.

Esse último ponto é a metade contrária da frase que orienta o cuidado no Instituto: assim como nenhum paciente será empurrado para cirurgia desnecessária, nenhum será afastado de uma cirurgia que ele de fato precisa fazer — incluindo casos em que a cirurgia é a indicação correta desde o início.

O protocolo de sessões: o que esperar na prática

Entender o protocolo ajuda a calibrar expectativa — e expectativa bem calibrada é parte do tratamento. O paciente que sabe o que vai acontecer, em quantas sessões, com qual progressão e em que prazo esperar resposta, adere melhor e interpreta melhor os altos e baixos naturais de qualquer reabilitação.

A estrutura na prática: dias alternados, distribuídos pelas fases

Os estudos com SpineMED® convergem para um protocolo padronizado de 20 a 25 sessões em um curso único, com frequência concentrada nas primeiras semanas.[9][3] No Instituto, a descompressão não é um curso avulso: é distribuída dentro das fases do Método KODE®, cada uma com seu bloco e sua finalidade clínica. Em todas, a frequência é em dias alternados (cerca de 3x/semana) — o tecido conjuntivo da coluna responde de forma cumulativa à descompressão repetida — e cada sessão dura de 20 a 30 minutos, em decúbito, com ciclos alternados de tensão máxima e mínima.[4]

  • Fase 0 / Antecipar (4 semanas): ~12 sessões em dias alternados — descompressão preventiva, para quem tem crises recorrentes ou quer cuidar da coluna antes da crise incapacitante.
  • Fase 1 / Conter (até 3 semanas): ~9 sessões, apenas quando indicada — por exemplo, dor discogênica ou hérnia com compressão como causa principal do quadro.
  • Fase 2 / Restaurar (cerca de 6 semanas de descompressão ativa, dentro das 12 semanas da fase): ~18 sessões em dias alternados — o bloco restaurador principal, integrado à preparação física.

Porque o desenho é diferente do curso único da literatura — blocos com finalidades distintas (prevenir, conter, restaurar), cada um acionado por indicação individual —, a contagem por fase não coincide com as 20–25 sessões de um curso avulso. O que se mantém é a lógica cumulativa e a calibração individualizada da carga.

A progressão de carga ao longo do tratamento

A carga distrativa não é fixa — aumenta progressivamente, sempre dentro do tolerado. No protocolo de Camacho 2015, a força lombar parte de zero e sobe gradualmente até a força-alvo, com incremento de 1–2 kg por sessão para mulheres e 1,5–2,5 kg para homens, ajustado conforme o status clínico.[4] Essa progressão individualizada é o que diferencia um protocolo clínico de um "pacote padronizado". A carga certa para um homem de 90 kg com hérnia L5-S1 não é a carga certa para uma mulher de 55 kg com protrusão cervical — aplicar carga genérica é um dos erros que reduzem eficácia e aumentam desconforto.

Gráfico da progressão de carga ao longo do tratamento com SpineMED®, até 18 sessões, em cerca de 4 a 6 semanas. O eixo horizontal traz a sessão, de 1 a 18; o vertical, a carga distrativa em porcentagem da força-alvo (individualizada). A curva parte de um valor baixo na primeira sessão e sobe progressivamente, sempre dentro do tolerado, estabilizando perto da força-alvo nas últimas sessões. Uma faixa destaca a janela de avaliação de resposta, entre as sessões 8 e 12: se não houver sinal de resposta, reavalia-se a indicação. Cada sessão dura 20 a 30 minutos, com ciclos de tensão máxima e mínima; o incremento de carga é individualizado.
A carga distrativa não é fixa: sobe progressivamente, sempre dentro do tolerado, até a força-alvo individualizada. A janela de avaliação (sessões 8–12) é o ponto honesto do protocolo — se não houver nenhum sinal de resposta em dor, função ou tolerância, reavalia-se a indicação, em vez de completar o pacote mecanicamente.

O que o paciente sente durante a sessão

A descompressão neurovertebral controlada não deve causar dor. A sensação esperada é de estiramento suave e progressivo, alternado com momentos de alívio durante as fases de tensão mínima. Muitos pacientes relatam relaxamento; alguns chegam a cochilar. Desconforto leve nas primeiras sessões é possível. Dor significativa, dor irradiada que piora durante a sessão ou parestesia nova são sinais de alerta que devem ser comunicados imediatamente. O perfil de segurança documentado é favorável: Sun 2013 não registrou complicações em 118 pacientes;[3] Camacho registrou apenas espasmos transitórios em uma minoria.[4]

Tempo de resposta clínica realista

Aqui é onde a honestidade importa mais. Alguns pacientes relatam alívio já nas primeiras sessões — Grant e Saxton documentaram que a maior redução de dor tendia a ocorrer nos primeiros 5 dias.[11] Mas resposta inicial rápida não é regra, e sua ausência nas primeiras sessões não significa fracasso. O efeito acumulativo se constrói ao longo das semanas, e a avaliação honesta de resposta só faz sentido após um número mínimo de sessões — tipicamente 8 a 10, que foi quando Camacho mediu seu primeiro checkpoint.[4]

A regra prática honesta: se após 10 a 12 sessões não houver nenhuma sinalização de resposta — nem em dor, nem em função, nem em tolerância à atividade —, é hora de reavaliar a indicação, não de insistir mecanicamente até completar o pacote. Insistir em um tratamento que não está respondendo é o oposto de cuidado clínico.

Por que o SpineMED® não é "uma máquina mágica"

Esta seção é a mais importante do guia. Não porque desvaloriza o equipamento — mas porque o coloca no lugar certo.

A diferença entre evidência mecânica robusta e desfecho clínico variável

Há uma distância entre "o aparelho faz o que diz fazer mecanicamente" e "o aparelho resolve o problema do paciente". A primeira afirmação é bem sustentada: Ramos & Martin demonstraram a queda de pressão intradiscal;[6] estudos de imagem documentaram redução de volume de hérnia e aumento de espaço intervertebral.[7][8] A segunda é mais frágil: revisões de alto nível não confirmam benefício clínico consistente.[5][1]

Essa distância existe porque a dor de coluna não é um problema puramente mecânico. É a interação entre mecânica (compressão), química (inflamação), neurologia (sensibilização), musculatura (descondicionamento, espasmo) e fatores individuais (sono, estresse, atividade, expectativa). Um aparelho que atua apenas no eixo mecânico — por melhor que atue — resolve apenas uma parte da equação. Esperar que resolva tudo é erro de premissa, não de tecnologia.

A integração ao plano clínico como condição de eficácia real

A leitura cruzada de todos os estudos com resultados positivos revela um padrão único: o SpineMED® apareceu sempre dentro de um protocolo, nunca isolado. Ma e Kim combinaram com fisioterapia, mobilização e exercícios de estabilização.[9][10] Lee demonstrou, em estudo randomizado, que descompressão combinada com mobilização articular foi superior a descompressão combinada apenas com termoterapia e eletroterapia.[14] Amjad mostrou, em ensaio de 2022, que descompressão adicionada à fisioterapia de rotina superou a fisioterapia isolada.[15]

A frase honesta — e comercialmente incômoda: se alguém oferece o SpineMED® como solução isolada para sua hérnia, vale desconfiar. Não porque o equipamento não preste — mas porque o uso isolado contradiz a própria literatura que justifica o equipamento. A descompressão neurovertebral não é o tratamento. É um componente de um tratamento.

Integração com o Método KODE®

O Método KODE® é a forma como o Instituto dos Reis organiza o tratamento conservador estruturado. Não é técnica, não é equipamento, não é pacote: é um protocolo clínico em quatro fases, fundado no reconhecimento de que a doença da coluna é dinâmica — o que funciona na crise aguda não funciona na fase de reabilitação muscular, e o que estabiliza a longo prazo não controla um episódio. Dentro desse modelo, o SpineMED® tem papel definido — não é o protagonista da marca (esse papel é do método em si), mas é uma das ferramentas que o método integra.

A lógica é de reparo, não apenas de alívio. Em vez de só apagar o alarme da dor, o Método KODE® busca criar as condições para o corpo reparar o que a causou. Reparo precisa de janela: ela se abre na Fase 1 — conter a dor sem sabotar a recuperação — e é sustentada na Fase 2, quando o alívio vira função que se mantém. Essa ordem é o mecanismo, sempre por indicação individual — e o cuidado é coordenado pelo Dr. Felipe Reis, co-coordenador do módulo de coluna da formação em Medicina Regenerativa da Cetrus.

Vale situar isso dentro de uma lógica maior. A descompressão não "regenera" o disco nem "suga" a hérnia de volta — o que ela faz é criar uma condição mecânica melhor: menos pressão sobre o disco e a raiz nervosa, mais espaço para o próprio corpo trabalhar. É por isso que descomprimir sozinho raramente basta: criar a condição é o começo; reconstruir a função e sustentar o resultado é o que transforma alívio em resolução. A ordem importa mais do que qualquer equipamento isolado.

SpineMED® como protagonista da Fase 0 (Antecipar)

A Fase 0 — Antecipar (4 semanas, cuidado preventivo) é dirigida a pacientes com histórico de crises, dor leve recorrente, ou que querem cuidar da coluna antes de chegar à crise incapacitante. Nessa fase, o SpineMED® é o componente central: descompressão controlada em dias alternados (cerca de 3x/semana), ~12 sessões ao longo das 4 semanas, com acompanhamento de enfermagem programado. A lógica é mecânica e preventiva — manter o disco descomprimido, preservar altura discal e mobilidade, reduzir o risco de a próxima crise se instalar. Veja também nosso guia sobre como prevenir crises recorrentes de dor lombar.

SpineMED® na Fase 1 (Conter), quando indicado

Na Fase 1 — Conter (até 3 semanas), a descompressão não é rotina: entra apenas quando a compressão discal é o fator principal do quadro — por exemplo, dor discogênica ou hérnia com compressão como causa principal. Nesses casos, a descompressão soma-se ao controle da dor — tipicamente cerca de 9 sessões em dias alternados, por aproximadamente 3 semanas. É decisão por indicação individual, não parte obrigatória da fase.

SpineMED® como componente da Fase 2 (Restaurar)

A Fase 2 — Restaurar (12 semanas, plano integrado) é o programa mais robusto do método, dirigido a pacientes com dor recorrente ou quadro complexo. Aqui o SpineMED® não atua sozinho: o eixo da fase combina descompressão controlada e preparação física continuada — a descompressão ativa concentra-se em cerca de 6 semanas (dias alternados, ~18 sessões), dentro das 12 semanas da fase —, e a esse eixo podem somar-se, conforme a indicação individual de cada paciente, tecnologias de reabilitação como laser de alta intensidade, ondas de choque focal e estimulação magnética periférica, além de infiltrações guiadas por ultrassom quando indicadas. Não se trata de aplicar todas em todos — o médico seleciona quais fazem sentido para cada quadro. A preparação física, ao longo das 12 semanas, segue periodização em quatro blocos — adaptação inicial, força, resistência e um segundo bloco de força — respeitando as janelas fisiológicas de cada objetivo. É exatamente o tipo de integração que a literatura mostra ser condição de eficácia real.[14][15]

Uma observação sobre o ritmo da descompressão nesta fase: o protocolo padronizado descrito na literatura (frequência mais alta concentrada nas primeiras semanas) foi estudado para a descompressão aplicada como intervenção predominante ou isolada. Dentro de um plano integrado como a Fase Restaurar, em que a descompressão divide a carga terapêutica com várias outras modalidades atuando em paralelo, a frequência é calibrada de forma diferente — tipicamente em dias alternados, concentrada nas ~6 semanas de descompressão ativa da fase — porque o efeito clínico não depende apenas do acúmulo de descompressão, mas da soma coordenada das intervenções. A frequência exata é decisão médica individualizada, ajustada à resposta de cada paciente.

Combinação com mobilização articular, ondas focais, HIL, SIS e infiltração USG

A força do modelo não está em ter as tecnologias — várias clínicas têm SpineMED®, laser de alta intensidade, ondas focais e estimulação magnética. A diferença está em integrá-las dentro de um protocolo coordenado, com sequência, dosagem e revisões ao longo do tempo. Vale uma analogia: ter os ingredientes não é o mesmo que saber fazer o prato. A ordem de aplicação, a fase em que cada tecnologia entra, a dose certa para cada paciente e o momento de reavaliar são decisões médicas — e é nelas que está o valor. A infiltração guiada por ultrassom, especificamente, é recurso de modulação dentro do plano clínico (componente da Fase 1/Conter para crise e da Fase 2/Restaurar para modular sintomas durante a reabilitação) — não procedimento isolado nem caminho preferencial automático.

Por que o paciente que faz só SpineMED® raramente resolve completamente

Reforço, porque é o ponto que mais importa: descompressão neurovertebral isolada, sem reabilitação muscular e sem o restante do plano, tende a aliviar parcialmente e recidivar mais cedo. O disco descomprimido em um corpo descondicionado, com a mesma sobrecarga mecânica de antes, volta a sofrer. O alívio mecânico abre uma janela; o que se faz dentro dessa janela — fortalecer, reeducar carga, corrigir o que gerou o problema — é o que determina se o resultado se sustenta.

Recuperação funcional após tratamento da coluna — o resultado do SpineMED se sustenta quando integrado à reabilitação
O alívio mecânico da descompressão abre uma janela; a reabilitação dentro dessa janela é o que sustenta o resultado a longo prazo.

SpineMED® em Brasília: fato e diferencial

O acordo de exclusividade — o que isso significa na prática

O Instituto dos Reis opera com acordo de exclusividade do SpineMED® em Brasília. Na prática, isso significa que o equipamento específico — com seu sistema de biofeedback de 20 milissegundos e seus protocolos cervical e lombar — está disponível na cidade dentro do Instituto. Para o paciente, o que importa do fato de exclusividade não é o exclusivismo em si, mas o que ele permite: a integração do equipamento a um protocolo clínico coordenado por médico especialista em Coluna.

A diferença entre ter o equipamento e usá-lo bem

Ter o SpineMED® é condição necessária, não suficiente. A literatura é clara em mostrar que o resultado depende de seleção criteriosa do paciente, carga individualizada, progressão adequada e integração com reabilitação. Um equipamento de descompressão operado sem seleção clínica, sem ajuste individualizado e sem plano de reabilitação em torno entrega menos do que poderia. O diferencial real não é o aparelho — é o uso clínico do aparelho.

Como o Instituto dos Reis estrutura o uso da tecnologia

No Instituto, o SpineMED® entra apenas após avaliação médica que estabelece a correlação clínico-radiológica e confirma que o paciente é candidato adequado. A partir daí, é encaixado na fase apropriada do Método KODE® — protagonista na Fase 0/Antecipar, componente na Fase 2/Restaurar —, com carga individualizada, progressão monitorada e reavaliações ao longo do tratamento. Se em algum momento a resposta não se confirma, a conduta é reavaliar — não insistir mecanicamente até fechar um número de sessões.

"O paciente do Instituto dos Reis pode contar com duas coisas: nunca será empurrado para uma cirurgia desnecessária, e nunca será afastado de uma cirurgia que ele de fato precisa fazer."

Essa âncora ética orienta também o uso da tecnologia: nenhum paciente será mantido em um protocolo de descompressão que não está funcionando, nem privado dele quando faz sentido clínico. A tecnologia serve à decisão clínica — nunca o contrário.

Quer saber se o SpineMED® faz sentido para o seu caso?

O ponto de partida é uma avaliação clínica completa, com leitura criteriosa da sua ressonância e do seu quadro — para confirmar se há correlação clínico-radiológica e se a descompressão neurovertebral é indicada, dentro de um plano de tratamento estruturado.

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Perguntas frequentes sobre o SpineMED®

1. O SpineMED® realmente funciona?

A fundamentação mecânica é bem documentada: a descompressão controlada reduz a pressão dentro do disco a valores negativos. A evidência de desfecho clínico é mais variável — revisões de alto nível ainda não confirmam superioridade clínica robusta, enquanto estudos menores específicos com SpineMED® mostram melhora de dor e função em casos selecionados. A leitura honesta: funciona como componente de um tratamento integrado, em pacientes bem selecionados — não como solução isolada universal.

2. Em quantas sessões devo sentir diferença?

Varia. Alguns pacientes relatam alívio nas primeiras sessões; outros respondem mais lentamente. A avaliação honesta de resposta costuma ser feita após 8 a 12 sessões. Se não houver nenhuma sinalização de melhora nesse período, a conduta correta é reavaliar a indicação — não insistir mecanicamente até completar o pacote.

3. O SpineMED® cura hérnia de disco?

Não é adequado falar em "cura" com qualquer tecnologia isolada. A descompressão pode contribuir para retração parcial do material herniado e reidratação discal, mas a evolução da hérnia depende de múltiplos fatores, e grande parte das hérnias regride espontaneamente ao longo de meses. O objetivo do tratamento é alívio de sintomas e recuperação funcional, dentro de um plano estruturado.

4. É a mesma coisa que a tração da fisioterapia tradicional?

Não. A tração tradicional aplica força linear constante e tende a desencadear contração muscular reflexa, o que limita seu efeito — razão pela qual a revisão Cochrane não recomenda tração para dor lombar não específica. O SpineMED® usa biofeedback de alta frequência que ajusta a força em tempo real (a cada 20 milissegundos), contornando o reflexo muscular. São conceitos mecanicamente distintos.

5. O SpineMED® pode piorar uma hérnia?

Em pacientes bem selecionados e com carga adequada, o perfil de segurança é favorável. Há contraindicações específicas (hérnia sequestrada com fragmento livre, fratura, tumor, infecção, instabilidade grave, entre outras) em que o tratamento não deve ser realizado. Por isso a avaliação médica prévia é indispensável: aplicar descompressão na situação errada pode, sim, ser prejudicial.

6. Quem NÃO pode fazer SpineMED®?

Pacientes com fratura vertebral aguda, tumor, infecção vertebral, síndrome de cauda equina ou déficit neurológico agudo progressivo, instabilidade vertebral grave, hérnia sequestrada com fragmento migrado, osteoporose grave, gestantes, e portadores de certos implantes metálicos na coluna. Há ainda contraindicações relativas avaliadas caso a caso.

7. Posso fazer SpineMED® depois de cirurgia de coluna?

Em alguns casos, sim — estudos documentaram melhora em pacientes com cirurgia prévia, sem diferença estatística em relação aos não operados. Mas depende do tipo de cirurgia, do tempo de consolidação e da presença de implantes. É decisão médica individualizada, geralmente respeitando intervalo mínimo de consolidação tecidual.

8. Faço SpineMED® com hérnia cervical e lombar ao mesmo tempo?

Os protocolos cervical e lombar são distintos em carga e posicionamento, mas podem ser conduzidos no mesmo paciente quando ambos os segmentos têm indicação. A priorização e a sequência são definidas na avaliação clínica, conforme o segmento mais sintomático e a correlação clínico-radiológica de cada nível.

9. O SpineMED® resolve sem nenhuma outra terapia?

A literatura mostra resultados consistentes apenas quando a descompressão está integrada a um protocolo — reabilitação muscular, mobilização, controle de carga. Descompressão isolada tende a aliviar parcialmente e recidivar mais cedo. No Método KODE®, o SpineMED® é sempre parte de um plano, nunca tratamento único.

10. Quanto tempo dura o efeito?

A durabilidade depende do que se faz após a fase de descompressão. O alívio mecânico abre uma janela; sustentá-lo exige reabilitação e correção dos fatores que geraram o problema. A literatura de longo prazo é limitada, e a manutenção do resultado se relaciona diretamente à adesão ao plano completo — não apenas à fase com o equipamento.

O que retém deste guia

  • ·O SpineMED® é descompressão neurovertebral controlada por biofeedback, indicada no tratamento conservador de hérnia de disco contida, doença discal degenerativa e radiculopatia cervical ou lombar selecionada.
  • ·O diferencial técnico em relação à tração tradicional é o ajuste de tensão a cada 20 milissegundos, abaixo do tempo do reflexo muscular de defesa (~50 ms), o que permite a queda da pressão intradiscal para valores negativos.
  • ·A fundamentação mecânica é sólida — Ramos & Martin documentaram pressão intradiscal de -100 a -160 mmHg sob descompressão controlada.
  • ·A evidência clínica de alto nível ainda é insuficiente: revisões sistemáticas e a Cochrane não confirmam superioridade clínica relevante, em parte por limitações metodológicas e por testarem tração genérica, não o biofeedback moderno.
  • ·Estudos menores específicos com SpineMED® (Coreia, Brasil, Egito, China, EUA, Canadá) sugerem benefício em casos selecionados — sempre quando integrado a um protocolo, nunca isolado.
  • ·Não é máquina mágica. É ferramenta. Vendida como solução isolada, tende a entregar menos do que promete e a recidivar mais cedo.
  • ·A descompressão atua no eixo mecânico; a dor de coluna tem também eixos inflamatório, muscular e neurológico — por isso a integração ao plano clínico é condição de eficácia real.
  • ·No Instituto dos Reis, o SpineMED® é protagonista da Fase 0/Antecipar e componente da Fase 2/Restaurar do Método KODE®, sempre após avaliação médica que confirme a indicação.

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Sobre o autor

Retrato do Dr. Felipe Reis, ortopedista especialista em Coluna

Dr. Felipe Cruz Caetano dos Reis

CRM 26.953-DF · RQE 24.292

Ortopedista e Traumatologista — subespecialista em Coluna pela Universidade de São Paulo (USP), com formação no Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP (IOT-FMUSP). Doutorando no IOT-USP. Autor de dois capítulos no livro de referência da ortopedia brasileira Ortopedia e Traumatologia: Princípios e Prática (Sizínio Hebert): Trauma Raquimedular e Degeneração Cervical. Treinamento em endoscopia biportal da coluna diretamente com o Dr. Son Sang Gyu (Coreia do Sul), criador da técnica.

Médico responsável pelo Instituto dos Reis, em Brasília — clínica dedicada a tratar a coluna criando as condições para o corpo reparar, com acompanhamento clínico estruturado pelo Método KODE®, sempre por indicação individual.

Referências bibliográficas

  1. 1 Wegner I, Widyahening IS, van Tulder MW, et al. Traction for low-back pain with or without sciatica. Cochrane Database Syst Rev. 2013;(8):CD003010. DOI: 10.1002/14651858.CD003010.pub5 · PMID: 23959683
  2. 2 Schmidt RF, Thews G (eds.). Human Physiology. Springer-Verlag. (Latência do reflexo de estiramento miotático, ~40–60 ms — dado também referenciado em Camacho et al. 2015 e Ma et al. 2011.)
  3. 3 Sun J, Hou X, Li X, Piao X, Ji G. Short-term Effect of SpineMED Decompression System for Lumbar Disc Herniation. 2013. (Estudo prospectivo, 118 pacientes, seguimento de 1 ano e 7 meses.)
  4. 4 Camacho E, Aquaroli R, Marchi L, Oliveira L, Amaral R, Pimenta L. Conservative Treatment of Pain and Disability due to Spinal Degenerative Changes using Controlled Biofeedback Decompression Mechanical Axial Traction. J Spine. 2015;4(4):252. DOI: 10.4172/2165-7939.1000252 (Open access · estudo brasileiro)
  5. 5 Macario A, Pergolizzi JV. Systematic Literature Review of Spinal Decompression Via Motorized Traction for Chronic Discogenic Low Back Pain. Pain Pract. 2006;6(3):171-178. DOI: 10.1111/j.1533-2500.2006.00082.x
  6. 6 Ramos G, Martin W. Effects of vertebral axial decompression on intradiscal pressure. J Neurosurg. 1994;81(3):350-353. DOI: 10.3171/jns.1994.81.3.0350 · PMID: 8057138
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  8. 8 Shahin MM, Ghazaly AEAH, Hasseb AESA, Gomaa BM. Assessment of Spine MED® Traction Effect on Cervical Disc Herniation: Correlation Between MRI and ODI/VAS Score: A Randomized Study. Al-Azhar Int Med J. 2024;5(3):Article 19. DOI: 10.58675/2682-339X.2308 (Open access)
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  10. 10 Ma SY, Je HD, Kim HD. A Multimodal Treatment Approach using Spinal Decompression via SpineMED, Flexion-Distraction Mobilization of the Cervical Spine, and Cervical Stabilization Exercises for the Treatment of Cervical Radiculopathy. J Phys Ther Sci. 2011;23(1):1-6.
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